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Enxaqueca: o que o novo remédio preventivo aprovado pela Anvisa muda para as mulheres

Dra. Amália Caroline Boldrim Outubro de 2026 4 min de leitura

No dia 8 de setembro, a Anvisa aprovou um novo comprimido para prevenir a enxaqueca. O nome do princípio ativo é atogepanto (Aquipta, nome comercial) e a notícia correu rápido porque a enxaqueca atinge mais de 31 milhões de brasileiros em idade produtiva, segundo a reportagem que repercutiu a decisão. Só que entre a aprovação e o remédio na sua mão existe um caminho, e entre a dor e o diagnóstico certo existe outro. Vamos por partes.

O que foi aprovado, e o que não foi

O atogepanto age bloqueando uma via envolvida na transmissão da dor da enxaqueca. Isso quer dizer que ele trabalha antes da crise, reduzindo quantas vezes ela aparece. Não é um remédio de resgate para tomar quando a dor já está forte.

A indicação aprovada é para adultos que têm pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês, tanto na forma episódica quanto na crônica. A decisão saiu no Diário Oficial da União, na Resolução 3.458/2026.

Nos estudos apresentados, o resultado foi assim:

Os efeitos colaterais mais descritos foram leves a moderados, como náusea, constipação e cansaço. Ainda não há data de chegada às farmácias nem preço definido, porque isso depende de uma etapa regulatória à parte.

Leia os números com calma. Passar de 2,5 para 4,1 dias a menos por mês não é cura, é uma melhora que para algumas pessoas muda a rotina e para outras muda pouco. Quem decide se esse tipo de remédio entra no seu plano é a médica que acompanha o seu caso, olhando a frequência das crises, o que já foi tentado e as outras doenças que você tem.

Por que a enxaqueca pega tanto as mulheres

Antes da puberdade, meninos e meninas têm enxaqueca com frequência parecida. Depois, a conta muda: a doença passa a ser cerca de três vezes mais comum nas mulheres. O estrogênio é o principal suspeito. A queda do hormônio nos dias que antecedem a menstruação aumenta o risco de crise, e é por isso que tanta gente conta que a dor "vem sempre na mesma semana".

Esse padrão é útil. Anotar as datas das crises por dois ou três meses ajuda a separar a enxaqueca menstrual de outros tipos, e muda a conversa sobre tratamento. A fase da vida também pesa: gravidez, uso de anticoncepcional e perimenopausa mexem com a frequência das crises. Se você já está nessa transição, vale ler também o nosso texto sobre menopausa e climatério.

Quando o analgésico vira parte do problema

Aqui está um ponto que quase ninguém conta. Quem toma remédio para dor de cabeça com muita frequência pode desenvolver uma dor extra, causada justamente pelo excesso de medicamento. Chama-se cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

Pelos critérios que a Sociedade Brasileira de Cefaleia divulga, o alerta acende quando o analgésico comum é usado entre 10 e 15 dias por mês durante três meses ou mais. Para combinações de analgésicos e remédios específicos da crise (como triptanos), o limite é de 10 dias por mês. A mesma fonte aponta que o problema aparece em cerca de metade das pessoas com migrânea, o que mostra como ele é comum.

O que fazer? Não é aumentar a dose, e também não é suspender tudo sozinha de um dia para o outro. O caminho é ter acompanhamento médico, retirar o excesso de forma orientada e montar um tratamento de prevenção. Sono regular, hidratação, atividade física e controle do estresse entram no pacote, e funcionam melhor com um plano de verdade por trás.

Um teste simples para fazer hoje: pegue o calendário do último mês e marque os dias em que você precisou tomar algo para a cabeça. Se passou de oito ou dez dias, ou se as crises já atrapalham o trabalho e a vida em casa, é hora de consulta. Esse calendário é o melhor documento que você pode levar.

Sinais de que a dor de cabeça não pode esperar

A maioria das dores de cabeça não é grave, mas alguns sinais pedem avaliação rápida, sem esperar a próxima consulta de rotina:

Se algum desses sinais aparecer de repente, procure um pronto atendimento. Para o restante, a consulta marcada com antecedência resolve bem.

E agora, vale esperar o remédio novo?

Não. A enxaqueca tem tratamento hoje, com opções de crise e de prevenção já disponíveis, e a sua melhora não precisa esperar o lançamento nas farmácias. Quem se organiza agora (diário de crises, revisão do uso de analgésicos, investigação de gatilhos) chega melhor preparada quando a nova opção estiver acessível, caso ela faça sentido para o seu caso.

Na Docctor Med Petrópolis, a consulta com clínico geral e a avaliação com a nossa médica responsável técnica podem ser o primeiro passo para organizar esse histórico, pedir exames quando necessário e encaminhar para o especialista certo. Veja as nossas especialidades e a lista de exames disponíveis. Estamos no Centro, na Rua do Imperador, 625, de segunda a sexta das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 8h às 12h.

Dor de cabeça que se repete merece consulta

Conte para a médica como são as suas crises, com que frequência vêm e o que você já tomou. Com isso na mão, o tratamento deixa de ser tentativa e erro.

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Dra. Amália Caroline Boldrim
CRM 52-0101138-3 · Responsável Técnica

Médica responsável técnica da Docctor Med Petrópolis.

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